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A História do Tabaco
Por Celso Nogueira

O tabaco como conhecemos percorreu uma
longa jornada, rica em fatos e curiosidades

A lenda do tabaco está marcada do princípio ao fim pelo desvelo, a paixão e o prazer.

Velha como a noite dos tempos, se entrelaça com a vida e com a morte, o mistério e a riqueza, desde suas origens. 

Era totalmente desconhecido na Europa medieval, enquanto na América já era hábito entre os nativos. 

 

Mais tarde quando do descobrimento de Cuba por Cristovão Colombo, em 1492, as duas culturas se encontraram e deste então o tabaco espalhou-se por todo o mundo.

Foi no universo indígena americano que começou sua saga, medicina milagrosa, elemento imprescindível em cerimônias religiosas e militares, alucinógeno e até complemento alimentar. 

Os astecas consideravam o sumo do tabaco como antídoto insuperável contra o veneno das cobras, os maias lhe atribuíam poderes milagrosos e po isso ofereciam a seus deuses o primeiro tabaco colhido. 

No Brasil, os aracujás ingeriam as folhas misturadas com outros alimentos. 

Os winnebagos, aborígenes norte-americanos, o consideravam um presente dos deuses ao primeiro dos seres humanos. 

E nativos do Amazonas iniciavam seus jovens no mundo adulto fazendo-os aspirar um aromático fumo.

No dia 28 de outubro de 1492, um domingo, quando o almirante Cristóvão Colombo entrou na baía de Bariay (ao norte da atual província cubana de Holguín) e desembarcou em Playa Blanca a história do tabaco começou a mudar. 

 

Dois jovens marinheiros da esquadra, Rodrigo de Jerez e Luiz de Torres foram designados pelo almirante para dar os primeiros passos nesta nova terra em busca do grande Khan, imperador de todo extremo oriente. 

Não o encontraram e na terça-feira, 6 de novembro do mesmo ano, após o regresso dos exploradores, o grande almirante escreveu em seu diário: "Encontraram os dois cristãos pelo caminho muita gente que atravessava seu povoado, mulheres e homens, com um tição entre as mãos e ervas para tomar a defumação à qual estavam acostumados". 

Mais adiante, já de regresso à Espanha, Colombo e seus acompanhantes levam consigo inesquecíveis recordações, experiências extraordinárias, dentre elas o fumo do tabaco.

Buscando algumas lembranças de sua viagem, Rodrigo de Jerez estava decidido a fazer fumaça entre seus familiares e amigos. 

Em sua casa, na localidade de Ayamonte Jerez se entregou por completo ao exótico prazer. Sem dúvida foi o primeiro europeu que fumou um charuto, mas a ousadia custou-lhe caro. 

Ao ser surpreendido soltando fumaça pelo nariz e boca foi confundido com um possuído pelo demônio e enviado à prisão pelo Santo Ofício. 

O tabaco já começava a cobrar sua quota de tragédia.

 

 

Linha do tempo

Mostraremos aqui um pouco da história dos charutos, com notas de momentos importantes (e outros menos importantes, mas curiosos) do período de 1492 até 2005.

Tradução Silvana Siqueira
Edição Celso Nogueira

1492
O explorador italiano Cristóvão Colombo navega em direção às Américas e em 28 de outubro Rodrigo de Xerez e Luis de Torres visitam o interior do que viria a ser a ilha de Cuba.
Xerez e Torres encontram nativos e testemunham um estranho ritual em que a fumaça de folhas queimadas é inalada através de um tubo. Assim aconteceu a apresentação das folhas conhecidas pelos nativos como Cohiba, e que mais tarde seria chamada de tabaco (nome que era dado pelos nativos ao tubo por onde passava a fumaça).

1493
Ao retornar à Europa o enviado espanhol Luis de Torres, depois de acender as estranhas folhas de tabaco que trouxe do Novo Mundo, foi preso e condenado a 10 anos de cadeia por feitiçaria.

1499
Américo Vespúcio percebeu que os indígenas americanos tinham o curioso hábito de mascar folhas verdes misturadas com um pó branco. Eles carregavam duas cabaças ao redor do pescoço – uma cheia de folhas e outra com pó. Primeiro eles colocavam as folhas em suas bocas. Então, depois de umedecer um pequeno graveto com saliva, eles mergulhavam-no no pó e misturavam o pó que estava grudado com as folhas em sua boca, fazendo um tipo de tabaco mastigável.

1519
Cortez chega ao México e é confrontado pelos Astecas, que também eram fumantes de tabaco, mas preferiam suas folhas em tubos.

1520
O tabaco circula pelos portos espanhóis de Sevilha, Cadiz, Cartagena e Moguer, e pelo porto português de Lisboa.

1525
O primeiro elogio documentado feito ao tabaco foi escrito por Jean d’Ango, famoso fabricante de navios e dizia, ‘Ontem eu conheci um marinheiro e com ele bebi uma jarra de vinho britânico. Enquanto bebíamos, ele de repente tirou de sua carteira um objeto argiloso branco que a princípio pensei se tratar de um tinteiro de chifre usado por crianças de escola. Qualquer um diria se tratar de um tinteiro de chifre com longo tubo e uma pequena boca. Ele encheu a larga ponta com folhas marrons que ele havia esmagado na palma das mãos, ateou fogo utilizando uma brasa e no mesmo momento, tendo colocado o tubo na boca, ele aspirava e soprava a fumaça, fato que achei surpreendente. Ele me informou que os portugueses haviam lhe ensinado esse truque, aprendido com os indígenas mexicanos. Ele chamou aquilo de ‘fumar’ e disse que esse fumo estimulava a mente e produzia pensamentos felizes’.

1530
O tabaco foi utilizado como a primeira moeda de troca para obtenção de escravos da costa africana.

1542
O escritor dominicano, Bartolomé de Las Casas, escreveu em seu Breve Relación dela Destrucción de lãs Indias (Breve Relatório da Destruição das Indias) uma descrição mais detalhada do tabaco, “Eram ervas secas enroladas em folhas também secas, formando um tipo de foguete de papel, igual ao que as crianças fazem para a festa de pentecostes. As pessoas acendem uma das pontas e sugam a outra, absorvendo a fumaça através da respiração. Esta fumaça... os previne, segundo eles, de ter sono. Esses foguetes ou como quer que o chamem, são conhecidos como tabaco.

1556
O tabaco chega à França. O frade revolucionário Thevet diz ser o primeiro a transplantar a nicotiana tabacum do Brasil; muitos diziam o mesmo. Em suas anotações ele descreve o tabaco como algo que proporciona conforto.

1559
Espanha: O tabaco é introduzido por Francisco Hernandez de Toledo,  médico particular de Felipe II, que havia sido enviado no ano anterior para investigar o produto no México. As sementes que Hernandez trouxe são as primeiras usadas para o crescimento de plantas ornamentais na corte.

1560
Jean Nicot de Villemain, embaixador francês em Portugal, escreve sobre as propriedades, descrevendo-o como remédio. Nicot envia a planta rústica para corte francesa.

1564
Introduzido na Inglaterra por Sir John Hawkins e/ou sua tripulação, o tabaco é usado por muitos marinheiros, incluindo os tripulantes de sir Francis Drake, até a década de 1580. (Historiadores da época faziam poucas anotações sobre os hábitos dos navegadores. Tripulações sob o comando de capitães menos famosos que Hawkins recebiam ainda menos atenção. Mas os marinheiros portugueses e espanhóis propagaram a prática por todo o mundo – provavelmente com a intenção de fazer novos companheiros nas cidades portuárias. Não há razões para supor que a equipe de Hawkins teria avançado mais do que outras tripulações inglesas. Em resumo, pode ter havido muitos usuários de tabaco antes das autoridades tomarem qualquer conhecimento. Hawkins e sua equipe costumam levar o crédito, mas não se pode ter certeza).

1567
Jean Liébault, médico e agrônomo, oficialmente se refere à planta de tabaco como nicotiana, em clara homenagem a Jean Nicot, que foi o primeiro a adquirir e estudar a planta dos jardins de Portugal.

1580
Os ingleses levam tabaco para a Rússia e os italianos levam a planta para a Turquia.

1590
O tabaco chega ao Japão, pelas mãos de navegadores portugueses.

1595
O Império Mogol Indiano é apresentado à planta de tabaco, assim como o Marrocos, Pérsia, Egito e Filipinas.

1610
Sir Francis Bacon escreve sobre o aumento no consumo de tabaco e diz que este é um hábito difícil de abandonar.

1612
John Rolfe, o famoso marido da princesa indígena Pocahontas, introduz o tabaco no estado americano de Virginia.

1614
Os espanhóis assumiram o controle de Cuba em 1511, e em 1519 a área conhecida como Havana foi estabelecida. Em 1614, a coroa espanhola autorizou La Casa de Contratacion de la Habana a desenvolver a produção de tabaco em Cuba. A maior parte era usada como rapé, mas uma parcela ia para a fabricação de charutos, em sua maioria feitos na cidade espanhola de Sevilha, a partir de 1676, ganhando força total em 1731. Alguns charutos também começaram a ser enrolados em Cuba, nesta época.

1623
Seguindo o decreto do Rei Britânico Philip III, a ilha de Cuba se torna o principal centro de envio de tabaco à todo império espanhol, incluindo Costa Rica, México e as Ilhas Canárias.

1717
Madri constrói a primeira fábrica de tabaco de exportação para Sevilha.

1760
Pierre Lorillard funda uma “manufatura” na cidade de Nova York para processamento de fumo, charutos e rapé. P. Lorillard é a mais antiga companhia de tabaco dos Estados Unidos.

1762
O coronel do exército britânico Israel Putnam, que mais tarde seria general da incipiente tropa americana na Guerra Revolucionária, introduz os charutos nas colônias (especialmente sua terra natal Connecticut) depois de retornar de uma expedição a Cuba.

1785
Um veículo coberto puxado por cavalos conhecido como conestoga wagon deixa a Pensilvânia em direção ao Oeste. As folhas de tabaco enroladas que levava deu origem ao termo ‘stogie’, que é utilizado para definir charutos baratos e/ou de baixa qualidade.

1810
São registradas as duas primeiras marcas de charutos: B. Rencurrel de Bernardino Rencurrel e mais tarde, Hija de Cabañas y Carbajal, de Francisco G. Cabañas. Surgem as primeiras  fábricas de charutos nos Estados Unidos.

1817
Em 23 de Junho, o monarca espanhol Fernando VII encerra o monopólio da indústria de tabaco cubana e permite a empresas privadas plantar e vender tabaco e produzir charutos.

1826
A Inglaterra importa 26 libras de charutos por ano. O produto se torna tão popular que em quatro anos o país passaria a importar 250.000 libras de charuto por ano.

1830
O governo prussiano cria uma lei pela qual os charutos, quando em público, deveriam ser fumados dentro de uma espécie de gaiola de metal, para prevenir que uma faísca tocasse fogo nas saias armadas das mulheres.

1834
A marca Por Larrañaga foi criada em Havana por Ignacio Larrañaga e Julian Rivera.

1836
Depois de dez anos do decreto assinado por Fernando em 1817, as exportações de charutos cubanos chegaram a 407.000 unidades. E depois de apenas 20 anos, a indústria já estava solidamente estabelecida e crescendo extraordinariamente, com quase cinco milhões de unidades sendo exportadas pelas 306 fábricas da ilha!

1837
O imigrante espanhol Ramon Allones cria a marca de charutos que leva seu nome. Acredita-se que ele tenha sido o primeiro a decorar as caixas de charutos com figuras litográficas coloridas.

1840
A marca Punch é criada e patenteada – de acordo com os registros – por um alemão chamado Stockmann.

1844
A famosa marca H. Upmann inicia sua produção em Cuba. Os registros divergem na informação de se a marca foi criada pelo banqueiro alemão Hermann Upmann, ou por sua família (e teria na verdade sido nomeada Hupmann). De qualquer forma, a marca rapidamente se tornou uma das mais populares fabricadas em Havana.

1845
Apesar de haver registros de a produção ter sido iniciada em 1827, este é o ano geralmente citado para o início da marca Partagas em Havana. Don Jaime Partagas criou a linha e construiu a famosa fábrica da Rua Indústria, 520 neste ano.
A marca La Coronatambém é criada por Jose Cabarga y Cia. em Havana.

1848
Emílio Olmstedt cria as marcas El Rey de Mundo e Sancho Panza em Havana.

1855
A explosiva popularidade do tabaco faz com que sejam exportados 141,6 milhões de charutos cubanos em 1840, e chega ao clímax com um recorde de 356,6 milhões de charutos exportados em 1855.

1863
O congresso americano aprova uma lei que ordenava a todos os fabricantes de charutos a criarem caixas onde os agentes da receita (IRS) pudessem colar selos tributados da Guerra Civil. Foi o início das ‘caixas de charuto artísticas’.

1865
O primeiro leitor (lector, em espanhol) foi introduzido, segundo noticias na fábrica El Figaro, em Havana, seguindo-se em janeiro de 1866 na fábrica Partagas. A prática foi banida pelo governo cubano de 1868-78 e 1895-98; os rádios foram introduzidos nas fábricas em 1923 pela Cabañas y Carbajal.
José Gener iniciou a marca Hoyo de Monterrey em Havana. Quando da sua morte em 1900, suas fábricas eram tidas como as maiores do mundo, produzindo 50 milhões de charutos por ano.

1873
A marca Romeo y Julieta foi criada por Inocencio Allvarez e Mannin Garcia in Havana. A popularidade veio depois da aquisição, em 1903, por Pepin Fernandez, que fez com que a marca se tornasse uma sensação mundial.

1874
Samuel Gompers criou o primeiro selo de qualidade; convenceu um consórcio de fabricantes de charuto da Califórnia a aplicar uma etiqueta que atestasse que o produto não havia sido violado pelos trabalhadores chineses.

1883
Oscar Hammerstien recebe a patente da máquina de enrolar charutos.

1890
Key West, é a maior cidade da Flórida, com população de 18.786 pessoas. A maior indústria local é a fábrica de charutos que emprega 2.000 trabalhadores.

1896
Ybor City em Tampa, Flórida foi fundada por Vincent Ybor e rapidamente se tornou o centro de fabricação de charutos na América, com 60 fábricas construídas lá por volta de 1910.

1898
O poeta ingês Rudyard Kipling (1865-1936) publica uma nova coleção, ‘A balada do bacharel’, incluindo ‘O noivo’ uma ode aos charutos que inclui as linhas “Há paz na Larrañaga, há calma em Henry Clay” e “E uma mulher é só uma mulher, mas um bom charuto é uma fumada”.

1903
A fábrica La Aurora, primeira fábrica de charutos a surgir na República Dominicana, é inaugurada por Don Eduardo Leon Jimenes. A marca La Aurora continua a ser produzida lá até os dias de hoje.

1912
Com o intuito de combater a falsificação, o governo cubano autoriza (em 16 de julho) um selo de garantia a ser colocado em todos os charutos produzidos no país. O estilo original do selo foi modificado em 1931 para o modelo atual.  A Companhia de charutos Arturo Fuente é fundada por Arturo Fuente, cubano fabricante de charutos que se mudou para Tampa, na Flórida. Fuente dirigiu a empresa até seu filho Carlos assumir o controle em 1960.

1915
Estatísticas do governo americano mostram que 15.732 fábricas de charutos estão em atividade nos Estados Unidos, produzindo um total de 6,6 milhões de unidades anuais.
O número total de fábricas decresceu continuamente, caindo para 9.877 fábricas ativas em 1924 e menos de 5.000 (4.905) em 1935.

1920
Máquinas de fabricação de charuto entraram em funcionamento nesta década. Quase todos os charutos produzidos em 1920 eram feitos à mão, já em 1929 20% do total da produção era feito por máquinas. Em sua autobiografia, Cigar Family, 100 Year Journey in the Cigar Business (Família Charuteira, 100 anos de jornada no mundo dos charutos), Stanford Newman escreveu que “em 1926, charutos feitos a máquina eram apenas 18% da produção americana. Em 1936, já somavam 75% do mercado”.
Uma das imagens mais duradouras da política americana, o “quarto cheio de fumaça” foi usado primeiramente pare descrever as manobras que aconteciam nos bastidores que levaram a nomeação de Warren G. Harding como candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em junho de 1920. Dizem que o quarto a que se referiam era a suíte 404 do Blackstone Hotel em Chicago, apesar de outras fontes afirmarem que o tal quarto ficava no oitavo andar. A frase “quarto cheio de fumaça” foi tirada de um despacho da Associated Press que dizia: “Harding, de Ohio, foi escolhido por um grupo de homens em um quarto cheio de fumaça”.

1921
Após três anos de discussões e negociações, seis companhias regionais de charuto se fundiram e tornaram-se a Consolidated Cigar Corporation, dirigida por Julius Lichtenstein da American Sumatra Tobacco Co. O primeiro sucesso nacional da empresa veio com a promoção do Dutch Masters, marca que pertencia originalmente à G.H. Johnson Cigar Co.

1922
A empresa britânica J .Frankau, S.A. adquire o banco H. Upmann e a fábrica de charutos da família Upmann.

1925
As primeiras máquinas de produção de charutos foram introduzidas pela fábrica Por Larrañaga. Houve um grande alvoroço que levou a uma greve e em 1937 as máquinas foram retiradas. Foram reintroduzidas para ficarem em 1950 nas fábricas La Corona, Partagas e Por Larrañaga.

1926
A Consolidated Cigar compra a G.H.P. Cigar Company e sua marca El Producto, a divulgação do produto é feita por George Burns, astro da série Vaudeville.

1933
A Retail Tobacco Dealers of America, (órgão que trata dos interesses dos comerciantes de tabaco) é formada sob a presidência de William A. Hollingsworth, um negociante de tabaco de Nova York. A primeira convenção nacional acontece em Nova York, cidade que seria o único local para eventos do órgão até 1980.

1935
A marca Montecristo é introduzida por Alonso Menendez logo após ter adquirido a fábrica Particulares S.A. em Havana. A marca se tornou sensação do dia para a noite e em 1937, o grupo Menendez & Garcia compra de J. Frankau S.A. a fábrica H. Upmann, onde o Montecristo passou a ser produzido.

1936
Zino Davidoff instala o que, segundo foi noticiado, seria o primeiro armazém climatizado para charutos. O armazém ficava no porão de sua famosa loja na Rue de La Confederation em Genebra, Suíça.

1940
O diretor técnico da Comision Naciona de La Propaganda y Defensa Del Tabaco Habano, Jose Perdomo, publicou o Lexioco Tabacalero Cubano, um dicionário completo de terminologia de charutos cubanos. O livro lista 40 companhias e uma relação de 307 marcas sendo produzidas em Havana em 1940.

1944
É inaugurada a famosa fábrica H. Upmann no número 407 da Rua Amistad, na esquina da fábrica Partagas, no centro de Havana. O endereço continuou a ser o lar do H. Upmann, Montecristo e de outras marcas até 2003, quando foi aberta uma nova fábrica H. Upmann.

1946
Zino Davidoff, suíço comerciante de charutos, trabalha juntamente com a Fernandez, Palacio y Cia., produtores do Hoyo de Monterrey e outras marcas, para reviver o interesse em charutos havana depois da Segunda Guerra Mundial. A série de charutos Davidoff’s Chateau  é introduzida.
O número de fábricas americanas cai para menos de 2.500 durante 1946; estatísticas do governo demonstram que 2.441 fábricas estão operando. O número cairia para menos de 1.000 (971) em 1954.
Sir Winston Churchill visita Havana, incluindo uma viagem a fábrica Romeo y Julieta, Depois disso, o formato Clemenceau, com 178 mm, e diâmetro de 18,65 mm, ou seja, um cepo 47, originalmente produzido em 1918 em homenagem ao primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, passou a ser nomeado também em homenagem à Churchill. A produção do Clemenceau foi encerrada em 1980, mas a do Churchill continua forte.

1953
A Standard Cigar Co. em Tampa, uma subsidiária da M&N Cigar Manufacturers de Cleveland é inaugurada por Stanford Newman na antiga fábrica Regensburg Cigar Company construída em 1910 e conhecida em toda área pelo gigantesco relógio na torre. A M&N Cigar Manufacturers, fundada por J.C. Newmann em 1865 em Cleveland, Ohio, fecha suas portas em 1954.

1954
A Consolidated Cigar compra a marca de charutos Muriel que pertencia a P. Lorrillard & Co. A marca se tornou famosa em todo o país através de comerciais de televisão estrelados por Edie Adams e a frase “Why don’t you pick one up and smoke it sometime?” (“Por que você não pega um e fuma qualquer hora dessas?”). Adams deixou de ser a ‘garota Muriel’ em 1970 e foi substituída pela modelo Susan Anton.

1959
De acordo com a edição do dia 1º de janeiro da “Tarifa de los Precios de Venta de Cigarros de La Isla de Cuba”, havia 140 marcas sendo produzidas em um total de 999 formatos. Revolucionários guiados por Fidel Castro assumiram o governo no dia 02 de Janeiro.
Neste momento, H. Upmann era a marca cubana líder de vendas. A Menendez & Garcia exportava cerca de cinco milhões de charutos aos Estados Unidos anualmente, por um preço entre 50 centavos de dólar a US$ 1,25 cada.

1960
Seguindo a tomada de Cuba por Fidel Castro e seus camaradas revolucionários, as indústrias de charutos cubanos são nacionalizadas em outubro. Muitas empresas são fechadas e os donos de muitas das famosas marcas cubanas deixam a ilha. Pela primeira vez, caixas de charutos produzidos em Cuba trazem estampada a frase “Hecho e Cuba” ao invés de “Made in Havana-Cuba”.
Nos Estados Unidos a Eisenhower Administration impõe um embargo econômico parcial no dia 19 de outubro, porém comida e medicamento ficam de fora.

1961
As fábricas de charutos americanas continuam fechando suas portas, caindo para menos de 500 (477) em 1961. Edgar Cullman lidera um grupo de investidores e compra a General Cigar, uma empresa lucrativa e bem conhecida pelas marcas White Owl, William Penn, Van Dyck e Robert Burns, entre outras.

1962
Em 07 de fevereiro o presidente americano John F. Kennedy amplia o embargo econômico parcial de 1960, banindo todas as marcas, com exceção de comidas e medicamentos não subsidiados. No dia 23 de março, o embargo passa a valer para todos os itens importados que sejam feitos em ou que contenham materiais cubanos em sua composição, mesmo que tenham sido fabricados em outros países, encerrando efetivamente as importações de charutos cubanos pelos Estados Unidos. Antes de o embargo se tornar efetivo, entretanto, Kennedy pediu que seu secretário de imprensa, Pierre Salinger, conseguisse mais de 1.000 de seus charutos preferido, o H. Upmann Petit Upmann.
Formou-se o monopólio nacional de tabaco em Cuba, a Empresa Cubana Del tabaco, mais conhecida como Cubatabaco.

1963
Buscando uma alternativa para o tabaco cubano, Stanford Newman começa a utilizar folhas de capa vindas de Camarões para a fabricação da linha Cuesta-Rey.

1965
Depois do anúncio feito em 1964 pela Saúde Pública Americana alertando contra os perigos de se fumar cigarros, o consumo de charutos nos Estados Unidos explode e chega a quase 9.9 bilhões, o mais alto patamar desde 1920. Em Cuba, a marca La Gloria Cubana ressurge para ser exportada.

1966
Durante uma viagem, Fidel Castro se apaixonou por um charuto feito por Eduardo Rivera, que viria a ser a marca Cohiba. A produção da marca começa na fabrica El Laguito em 1967 tendo Rivera no comando; Avelino Lara assumiu o controle da marca em 1970 e permaneceu até aposentar-se em 1994.

 

1968
A marca Davidoff é lançada no mundo inteiro pela Cubatabaco e continua sendo produzida até o fim de 1991 com distribuição encerrada em 31 de dezembro de 1992.

1969
A General Cigar compra a Gradiaz Annis & Co., que faz a marca popular Gold Label e adquire também a fábrica jamaicana Temple Hall, que produz as marcas Creme de Jamaica e Temple Hall e é dona de uma marca muito pouco conhecida chamada Macanudo.
Como consequencia da disputa entre F. Palacio y Compania S.A. e Bush, começa em Honduras a produção para o mercado norte americano das marcas cubanas Hoyo de Monterrey e Punch (entre outras). O caso estabeleceu que os donos das companhias cubanas teriam direito às propriedades intelectuais tais como marcas e nomes de charutos nos Estados Unidos depois de terem suas propriedades confiscadas pelo governo cubano em 1960.

1970
Oettinger Imex S.A., dirigida por Ernst Schneider, compra a loja Davidoff e todas as marcas pertencentes à Davidoff por quatro milhões de francos suíços (cerca de U$ 970.000,00 na época). Em 10 de outubro é inaugurada uma grande loja de charutos em Nova York, na esquina da 6th Avenue com a 45th Street. J & R Tobacco Corporation (mais conhecida como J-R Charutos), dirigida por Lew e La Vonda Rothman, começa um negócio de venda pelo correio em 1971 e entra no mercado de atacados com os charutos da divisão Santa Clara em 1977. Em 1972, J-R oferece Chivis, que seria a primeira marca a ser vendida em maço ao invés de caixa, (sete tamanhos com preços variando entre US$ 9,00 e US$ 16,50 o maço com 25 charutos). Em 1983, J-R era o maior comércio varejista de charutos premium dos Estados Unidos.

1971
Macanudo é apresentado em seu formato atual pela General Cigar e, graças à propaganda e à forte campanha de vendas, se torna, em meados da década, a marca premium líder de mercado  nos Estados Unidos.

1973
O consumo de charutos atinge um pico de 11,23 bilhões de unidades, uma média de 54 charutos (de todos os tamanhos) para cada homem, mulher e criança nos Estados Unidos naquela época.

 

1975
Por volta de novembro, uma série de casos na Corte Federal Americana, incluindo Alfred Dunhill of London Inc. versus República de Cuba e Menendez versus Faber, Coe & Gregg Inc., estabeleceram que a propriedade das marcas cubanas pertenceria aos antigos donos e que eles tivessem suas empresas nacionalizadas pelo regime de Fidel Castro. Pouco depois, versões não cubanas do H. Upmann feita nas Ilhas Canárias da Espanha e do Partagas, feito na Jamaica, surgiram no mercado. Uma nova fábrica de charutos Premium chamada Manufactura de Tabacos S.A. ou simplesmente ‘MATASA’ surge sob a direção do Presidente Manuel Quesada.

1980
Finalmente as fábricas de charuto cubanas criam um padrão para o formato dos produtos, acabando com séculos de tamanhos diferentes para cada fabricante,

1981
Al Goldstein, editor independente da revista Screw, lança uma publicação chamada Cigar. As publicações custam US$ 9,95 por 12 exemplares, entretanto depois de quatro edições o empreendimento fracassa.

1982
Cohiba, que até então era uma marca particular para uso diplomático, é apresentado para o mundo das vendas como produto de boas vindas para a Copa do Mundo da FIFA, na Espanha.

 

1983
Henry Schielein, gerente geral da Boston Ritz-Carlton Hotel, inaugura no hotel o salão para fumantes com um jantar black-tie e dúzias de apaixonados amantes de charutos. Foi nada menos do que o renascimento da reunião dos cavalheiros fumantes, agora conhecido como Jantar de Charutos.

1985
A Cubatabaco introduz códigos nas caixas de charutos para tornar possível o rastreamento da data e local de fabricação. Esse modelo de códigos foi usado até 1998.

1986
O compositor libanês Avo Uvezian apresenta sua marca, chamada Avo, que é produzida em Tabadom, na República Dominicana. Corral, Wodiska & Co., fabricantes da popular marca Bering, é vendida para a Swisher International.
Carlos Fuentes fecha sua fábrica de charutos feitos à máquina que ficava na região de Tampa, e pede para Stanford Newman da M&N Cigar Manufacturers que passe a fabricar os charutos para ele. Fuentes decide concentrar-se em charutos feitos à mão na República Dominicana e concorda em fazer a marca La Única para Newman; esta foi uma das primeiras marcas de charutos feitos a mão a ser oferecida em maços.
A Consolidated Cigar adquire os direitos pertencentes à American Cigar Company, incluindo as marcas muito bem conhecidas Antonio y Cleopatra, La Corona e Roi-Tan.

1987
Davidoff de Genebra abre sua primeira loja nos Estados Unidos, localizada na 535 Madison Avenue em Nova York, NY.

1988
A sequência de aquisições da Consolidated Cigar continua, com a compra da Jamaica Tobacco Co. (incluindo a marca Royal Jamaica) e da Te-Amo/Geryl Corporation, dona da marca Te-Amo.

1989
O negociante de fumos Ira “Bill” Fader assume o lugar de Malcolm Fleisher no comando da RTDA Executive Director, Fleisher estava no cargo desde 1961.

1990
Apesar de ainda não imaginado, o momento que antecede o “boom” do charuto dos anos 90 começava: Davidoff rompe as ligações com Cuba, mudando a produção da marca para a República Dominicana. O novo charuto produzido lá era mais suave e tinha como alvo principal o gigantesco mercado norte-americano, que tinha um potencial ainda não aproveitado. Davidoff estava certo.
Paulo Garmirian publica o The Gourmet Guide to Cigars (O Guia do Gourmet para Charutos), livro distribuído em tabacarias dos Estados Unidos. Com boas ilustrações e fácil de ler, dava aos consumidores uma nova e acessível introdução à arte dos charutos.
Uma nova revista dedicada a charutos e cachimbos, a The Complet Smoker (o Fumante Completo), é lançada no verão. Publicada pela Evanston, uma tabacaria de Illinois de propriedade de Theodore Gage, o exemplar de inauguração tem 40 páginas de artigos sobre charutos, cachimbos, a história do tabaco e o impacto que o fumo causava à saúde. Anúncios de charutos incluíam Arturo Fuente, F.D. Grave & Sons, Troya, Villazon & Co. (que fabricava o Punch) e os isqueiros Colibri na contracapa. Incapaz de alcançar boa circulação com a venda em tabacarias, a revista deixa de ser publicada no final de 1991, depois de cinco edições.
As vendas começam a crescer. Apesar de o consumo de charutos continuar a cair nos Estados Unidos, não passando de apenas 1%, novas forças são vistas nas importações de charutos premium feitos a mão. Um total de 117,7 milhões de importações em 1990, um aumento de 14,5% se comparado com 1989 e a maior desde 1985. Dos 117,7 milhões, 52,3 milhões eram da República Dominicana e 39,8 milhões eram de Honduras, o que representava um recorde.

1992
Em fevereiro, a The Wine Spectator (O Observador de Vinho), publica uma capa ricamente ilustrada sobre “O fascínio dos charutos cubanos”. A reação positiva que a edição recebeu confirma a estratégia do editor de lançar uma revista ligada a charutos, a Cigar Aficionado, no outono do mesmo ano.
A importação de charutos premium tem leve queda desde 1990 e chega a 114,4 milhões, sendo que a República Dominicana e Honduras somam 76% do total.
Novas variedades de tabaco, a Habana-92 e a Habana-2000 são introduzidas em Cuba com o intuito de combater doenças e aumentar os lucros.

1993
O consumo americano de charutos cai para 3,42 bilhões de unidades, média de 13 charutos per capita. O número de charutos consumidos caiu em 19 dos 20 anos que se seguiram a alta de 1973, com consumo caindo 69,5% por toda parte naquele período.
A importação de charutos premium, entretanto, alcança nova alta, chegando a 126,9 milhões (um crescimento de 15%), incluindo 57 milhões originários da República Dominicana e 44 milhões de Honduras.

1994
Renovação! Apesar do ânimo na Feira Anual dos Negociantes de Tabaco realizada em Chicago estar quieto, a venda de charutos aumenta 8,6% no ano, primeiro crescimento desde 1983. O número de marcas em circulação demonstrada na primeira edição da Perelman’s Pocket Cyclopedia (Enciclopédia de Bolso Perelman) é de 370.
As importações explodem! O total de importações totais naquele ano foi de 146 milhões de charutos, outro crescimento acima de 15% sobre o ano anterior. Importações dominicanas alcançam vertiginosos 67 milhões, e Honduras chega a 52, milhões.
Zino Davidoff morre em Genebra no dia 14 de janeiro, aos 87 anos. Durante sua vida, introduziu o primeiro armazém umidificado para charutos (1936), o primeiro umidor pessoal (lançado nos anos 50), e a famosa marca de charutos que carrega seu nome.
A Habanos S.A. é criada como arma de marketing e distribuição da indústria de charutos cubanos e um adesivo da Habanos é colado no canto de cada caixa de charutos feitos em Havana.
No dia 21 de julho, a Assembléia da Califórnia Bill 13 se torna lei, banindo o fumo da maioria das áreas cobertas. A lei entra em vigor efetivamente no dia 1º de janeiro de 1995.

1995
É chegado o “Boom”. O crescimento nas vendas de charutos cresce por toda a parte pelo segundo ano consecutivo, desta vez o aumento foi de 8,7%.
As importações de charutos premium têm aumento de estonteantes 33,3%, ou seja, 194.547.000. O número de marcas em circulação é de 457, um aumento de 23%.
A General Cigar que já era a produtora das marcas mais vendidas em todo o país – Macanudo e Partagas – lança para o período das festas uma linha de roupas de design elegante e bem feitas; são camisetas, chapéus e jaquetas que carregavam os logos das duas marcas.

1996
A expansão do charuto continua. As vendas aumentam 13,5% chegando a 4,588 bilhões e as importações dos premium vão às alturas, subindo 64%, num total de 319.748.000. As importações de produtos dominicanos passam dos 100 milhões pela primeira vez, chegando a 138.622.000. Surgem empresários por toda a parte, introduzindo 202 novas marcas – um aumento de 44% - trazendo um total de 659 diferentes marcas no mercado.
A The Tabacalera A. Fuente lança a marca totalmente dominicana que há muito vinha prometendo, a Fuente Fuente Opus X, mais conhecida como Opus X, eram oferecidas tão poucas unidades deste charuto e tinha tanta procura que ele se tornou raro, caro e ainda mais procurado do que qualquer outro charuto produzido em Havana.
Disponível apenas no leste dos Estados Unidos, o preço em algumas lojas era de mais de 50 dólares por charuto, muitas vezes o fabricante sugeria o preço do varejo. Este feito de fabricação e marketing de charuto é talvez o melhor ícone para o “Boom” e para a transformação de uma indústria considerada morta poucos anos antes.
A General Cigar continua explorando o poder de suas marcas líderes de vendas com a abertura, em maio, do elegante Club Macanudo bar, restaurante e sala de fumantes em Nova York.
A General também expandiu os negócios da marca com a aquisição da Villazon & Company, donos das marcas Belinda, Excalibur, Hoyo de Monterrey, La Escepcion e Punch (entre outras), o valor do negócio foi de cerca de US$ 70 milhões.
Na Jamaica, a Consolidated Cigar Corporation abre uma nova fábrica da Royal Jamaica com mais de 10.000 metros quadrados sob o nome de Jamaica Tobacco Company, em Maypen. Hurricane Gilbert destruiu o antigo lar da marca em 1988, mas a produção acabou e a fábrica fechou em 2000 (o último charuto Royal Jamaica foi enrolado em julho). A marca foi fundada em 1922.
Em 16 de agosto, a fábrica Davidoff em Santiago na República Dominicana foi destruída pelo fogo. Ela havia sido comprada por Hendrik Kelner em 1983 e começou a produzir o Davidoff em 1989.
Oettinger Imex, dono da marca Davidoff compra a marca Avo, que pertencia a Avo Uvezian, que na época estava com 69 anos de idade. Distribuída por Davidoff desde o início da produção, em 1986, a marca vendeu 20.000 unidades em 1987, e 1.4 milhões em 1995.
A cobertura da mídia sobre o boom se torna mais intensa. A revista Spy traz Madonna na capa da edição de setembro/outubro, para divulgar a matéria da capa “o fumo e os espelhos”, a cantora tem na boca o que parece ser um charuto Don Tomas explodido.

1997
O número total de charutos vendidos atinge níveis inimagináveis, chegando a 5,16 bilhões de unidades (um crescimento de 80%!) somado a um aumento do total de charutos produzidos dentro dos Estados Unidos – a indústria dos produtos feitos a mão renasce. Importações da República Dominicana chegam a 268.374.000, um crescimento de 46 vezes em 20 anos!
Novas marcas surgem rapidamente. A edição de final de ano da Perelman Pocket Cyclopedia of Cigars mostra 1.144 marcas, mais do que o triplo do número mostrado na primeira edição, publicada três anos antes.
O Cohiba está nos noticiários. General Cigar lança sua versão do Cohiba na RTDA de Julho, mas a Empresa Cubana Del Tabaco (Cubatabaco) aciona a General Cigar e a Culbro Corp. na Corte Federal dos Estados Unidos em Nova York, reclamando os direitos de propriedade do nome Cohiba.
A Tabacalera S/A da Espanha adquire a Havatampa, Inc. e a distribuidora de charutos premium de Los Angeles Hollco-Rohr, proprietária americana das marcas Gispert, Juan Lopez, Romeo y Julieta e Saint Luis Rey. A transação pela Max Rohr Importers, Inc. foi de aproximadamente US$ 53 milhões.
O fim do “boom” também ficou claro no final do ano. A edição de novembro da Barron’s revia a moda do charuto e declarava que os impetuosos tempos de preços altos estavam no fim e que o consumo iria diminuir. Acertou em cheio.
A ‘Exposição Internacional de Charutos’, tida como uma feira alternativa à RTDA, aconteceu pela primeira vez em Las Vegas. Ela se tornou a ‘Exposição Nacional de Tabaco’ em 1999, a ‘Exposição da Associação Nacional de Vendedores de Tabaco’ no período de 2000 a 2006 e mudou seu nome para ‘Expo Tabaco Plus’ em 2007.
Os cubanos apresentaram duas novas marcas: Vegas Robaina, homenageando famoso produtor de tabaco de Vuelta Abajo, e Vegueros.

1998
O “boom” entrou no que parecia ser decadências, mas era de fato a inevitável freada de uma indústria super aquecida.
As vendas, entretanto, continuaram em ascensão pelo quinto ano consecutivo, mas foi de apenas 3,7%, somando 5,35 bilhões As importações de charutos premium caíram pela primeira vez desde 1991, em 13,7% sendo de 506.809.000,  dando a impressão de que os umidores dos consumidores já estariam transbordando.
Os empresários, entretanto, continuaram a investir e o número total de marcas disponíveis no mercado chega a um patamar recorde de 1.453 publicado na edição de final de ano da Perelman’s Pocket Cigar & Humidor Fider.
O primeiro “Seminário Internacional de Habanos” aconteceu em Havana entre os dias 16 e 20 de fevereiro; foi o precursor do “Festival do Habano”. A marca Trinidad é lançada mundialmente em um jantar de gala e um leilão, que ocorreram na última noite do evento.
O furacão Georges atravessa o caribe nos dias 20 a 22 de setembro, causando grande destruição, especialmente na República Dominicana, onde causou 380 mortes e no Haiti, com 209 mortos. Em Cuba, seis mortes foram atribuídas à tempestade. Plantações de tabaco dominicanas foram seriamente danificadas.
Em 3 de novembro, eleitores californianos aprovaram a Proposition 10 por apenas 79.728 (ou 50,5%). Com o intuito de arrecadar fundos para a educação infantil, a lei aumentava as taxas sobre os cigarros de 50 centavos para 87 centavos por maço e também aumentava as taxas sobre o preço de vendas dos charutos em um valor “equivalente”.

1999
As vendas continuavam deslizando, à medida que centenas de milhares de charutos de marcas falidas continuavam a serem vendidas no mercado com liquidação. No final do ano, as importações totalizaram 248,26 milhões, caindo 25,8% em relação a 1998. Petrechos de marcas famosas de charuto estavam ainda mais disponíveis e faziam com que o preço de algumas outras marcas despencasse, principalmente daquelas que ainda não tinham estabelecido forte presença no mercado.
O número de marcas finalmente diminui, e fica pouco acima de 1.220, cerca de 220 a menos do que durante o auge. Porém, a qualidade e a inovação continuam, com a introdução de charutos muito grandes, novos modelos de caixas e do aumento de produção dos charutos Perfectos, que era o formato dominante no começo do século XX.
A Swedish Match compra a operação de charutos feitos a máquina da General Cigar (Garcia y Veja, Tiparillo, White Owl, entre outras) em maio e da El Credito Cigar (El Rico Habano, La Gloria Cubana, Los Statos de Luxe), em setembro.
No dia 22 de janeiro, a France’s Societe National d’Exploitation Industrielle des Tabacs El Allumettes, S.A. (SEITA) completa a aquisição da Consolidated Cigar Corporation de Ron Perelman por cerca de US$ 730 milhões em dinheiro e assume seus débitos. Em 17 de dezembro, uma nova companhia, a Altadis S.A., se forma com a fusão da SEITA e da espanhola Tabacalera S.A.
Uma nova fábrica da Davidoff é aberta em Santiago, na República Dominicana, depois que o complexo industrial foi destruído pelo fogo em 1996.
Foi um ano muito animado em Cuba: o primeiro Festival do Habano ocorreu de 22 a 26 de fevereiro em Havana; os cubanos mudaram os códigos de suas caixas, o selo de garantia cubano é modificado com a introdução do número de série vermelho e, uma nova marca, a San Cristobal de La Habana é criada.  Em 14 de outubro, o furacão Irene passa pela ilha causando grandes prejuízos à infra-estrutura dos celeiros de secagem da província de Pinar Del Rio.

2000
Depois do outono, a importação de charutos premium teve um pequeno aumento subindo para 249,15 milhões, bem menos do que durante o “boom”, mas cerca de 250% a mais do que era em 1994.
No dia 11 de maio, a Swedish Match anuncia a compra de 64% da General Cigar com opção de adquirir o resto da empresa. No dia 12 de outubro, a General Cigar fecha a fábrica Cifuente y Cia. em Kingston, Jamaica, que foi durante muito tempo o lar do Macanudo e do Temple Hall. A produção destas marcas muda-se para a República Dominicana. A indústria de charutos cubanos traz a terceira alteração dos códigos das caixas em 15 anos. Mas desta vez apresenta abreviações fáceis de serem entendidas relativas ao mês e ano de produção. 
Em outubro, a Altadis S.A, compra 50 % das ações da Habanos S.A., braço de distribuição e marketing da indústria de charutos da ilha, por cerca de US$ 477 milhões.
Em novembro, os cubanos apresentam as séries Edicion Limitada, uma série de charutos individuais de diversas marcas que serão produzidas em quantidades limitadas e com capas de dois anos de idade.
Ramon Cifuentes, um dos últimos laços vivos da indústria de charutos cubana da era pré-Castro e que foi dirigente da fábrica Partagas em Havana, morre em Madri, Espanha, no dia 03 de janeiro aos 91 anos. Ele deixou Cuba em 1961 e nunca mais retornou.       

2002
A Habanos S.A. apresenta uma nova marca feita à máquina chamada Guantanamera.
Os furacões Isidore (24 de Setembro) e Lili (02 de outubro) abatem Cuba e destroem mais de 10.000 celeiros de secagem na área de Vuelta Abajo.
Uma lei anti-fumo é aprovada na Flórida, e os planos da realizar a Convenção e Feira Internacional da RTDA em 2003 foram alterados e o evento acontece em Nashville, Tenessee.
A marca Bering foi vendida pela Swisher International a Nestor Plasencia e passa a ser distribuída pela Charutos Santa Clara.  

2003
As importações norte-americanas crescem pelo quinto ano consecutivo, alcançando 257,67 milhões, melhor marca, com exceção dos anos de 1997 e 1998 (os anos do “boom”).
Em Cuba, uma quarta edição dos códigos das caixas é implementada, dizendo ser uma mudança contínua com a intenção de evitar que se saiba qual fábrica produziu uma caixa em específico. Com o intuito de impedir a falsificação, um adesivo holográfico é colocado nas caixas de charutos vendidas em Cuba.
A histórica fábrica H. Upmann em Havana é fechada para a produção de charutos e os trabalhadores são levados a uma nova e moderna estrutura. A antiga fábrica havia sido inaugurada em 1944.
A Altadis S.A. compra o controle acionário da 800-JR Cigar, Inc. dona dos charutos J-R e toda sua divisão varejista, a Cigars by Santa Clara, em 10 de outubro. Altadis poderá comprar o restante das ações em 2008.
A Alfred Dunhill de Londres fecha no final do ano todas as suas lojas de varejo dos Estados Unidos, muitas delas tinham umidores tidos como luxuosos, com exceção da loja principal, localizada em Nova York. Dunhill abriu sua primeira loja nos Estados Unidos em Nova York, no ano de 1933.
A fabricante de charutos C.A.O. abre fábricas próprias tanto em Honduras quanto na Nicarágua, ambas compradas da família Toraño.

2004
As importações norte-americanas decolam, subindo 10% com relação à 2003 elevando-se a 283,34 milhões, sendo o melhor na já registrado, com exceção dos anos 1997 e 1998 (os anos do “boom”).
Cubatabaco ganha o primeiro round da luta pela propriedade da marca Cohiba. A decisão foi tomada no dia 19 de maio pelo Juiz Distrital Robert Sweet do Distrito Sul de Nova York.
U.S. Cigar Sales, Inc., dona das marcas Astral, Don Tomas e Helix (entre outras), é entregue para a General Cigar (agora parte de Swedish Match) por sua matriz, a U.S. Tobacco, como parte de uma acordo de uma ação que combate a formação de cartéis pela Swedish Match sobre o mercado de ‘tabaco sem fumaça’.

2005
As importações de charuto premium feitas pelos Estados Unidos aumentam, ultrapassando 300 milhões de unidades e atingindo 321,63 milhões, sendo a terceira melhor marca já alcançada e considerada incrível, dado o contínuo crescimento das campanhas anti-fumo que ocorrem em todo o país.
No dia 24 de fevereiro, a Segunda Corte de Apelação do Estados Undios reverte a decisão da Corte Distrital no caso da Empresa Cubana del Tabaco (Cubatabaco) versus Culbro Corp.; General Cigar Co., Inc. e General Cigar Holdings, Inc. e concede a propriedade da marca Cohiba nos Estados Unidos para a General Cigar. A Cubatabaco promete entrar com apelação na Suprema Corte.

Fonte: www.cigarsmag.com/cultureNCigar.htm

 

 

 

 

 

 
   
 

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